REPORT MENSAL

JUNHO - 2026

“No cenário internacional, junho foi marcado pelo memorando de entendimento entre EUA e Irã e pela normalização gradual do Estreito de Ormuz, contribuindo para queda do petróleo. O Fed encerrou o forward guidance e revisou a inflação para cima; o ECB elevou juros. No Brasil, o Copom cortou 25 bps em decisão dovish.

Seguimos com baixo risco, aguardando uma deterioração adicional dos ativos brasileiros para voltar com as posições.”

INTERNACIONAL

A queda dos preços do petróleo foi o grande destaque de junho. Depois de alguns meses dominados pelo conflito EUA-Irã, o mercado resolveu deixar o assunto para trás após ficar claro que o presidente Trump não queria novas escaladas e o fluxo pelo Estreito de Ormuz mostrar sinais de normalização, ainda que permaneça bem aquém do período anterior ao ataque americano. Essa normalização retira urgência dos bancos centrais por uma resposta mais imediata e permite um olhar mais atento para suas idiossincrasias.

No Fed, Kevin Warsh conduziu sua primeira reunião como presidente, anunciando uma série de mudanças. O comunicado foi significativamente reduzido, eliminando o forward guidance, e cinco forças-tarefas foram criadas para revisar as práticas de comunicação, balanço patrimonial, fontes de dados, produtividade e emprego, além do framework de inflação. O anúncio reflete o desejo de atacar de forma imediata o modus operandi que Warsh criticou ao longo dos últimos anos. Em sua primeira coletiva de imprensa, o novo presidente reforçou o comprometimento no combate à inflação, tentando passar a imagem de que as mudanças não se traduzem em leniência e repetindo sua avaliação de que a inflação é uma escolha. Em nossa visão, o que Warsh busca é que os mercados financeiros sejam um input genuíno para o Fed, e não apenas um eco das leituras do comitê. No campo das projeções, o dot plot retirou o viés de corte e a mediana passou a prever o juro em 3,8%, frente aos 3,6% atuais. Com a demanda por trabalho voltando a subir, o próximo movimento tende a ser de elevação da taxa básica.

Na Europa, o ECB respondeu ao choque subindo juros em 25 bps na reunião de junho, mas o cenário menos dramático do que se supunha altera a necessidade de elevar a taxa para patamares restritivos, em especial dado o efeito negativo sobre a atividade. O Banco da Inglaterra manteve a taxa em 3,75%, numa postura de esperar mais dados antes de agir. Enquanto isso, a economia chinesa segue se beneficiando da força das exportações, em especial nos segmentos ligados à tecnologia e à inteligência artificial, oferecendo um contraponto ao enfraquecimento da demanda europeia.

BRASIL

No Brasil, além do movimento externo, a última reunião do Copom trouxe intenso debate sobre a forma de comunicação e uma possível busca de justificativa para cortar o juro. Mesmo reconhecendo a aceleração da atividade econômica e riscos assimétricos de inflação, o BCB entendeu que a resposta de política monetária mais adequada era de redução da taxa básica quando se considerava um trimestre à frente do horizonte relevante. Posteriormente, o banco central caracterizou a confusão como excesso de transparência.

Os últimos números divulgados “ajudam” o banco central. O Caged de maio veio fraco pelo segundo mês consecutivo, os rendimentos reais obtidos na PNAD perdem força e o IPCA-15 mostrou alívio na margem. A massa salarial real, que chegou a crescer acima de 8% interanual no início de 2025, desacelerou para 4,8% no trimestre encerrado em maio. Essa desaceleração é justamente o canal de transmissão que interessa ao banco central para surtir efeitos na pressão inflacionária doméstica.

No âmbito político, a atenção permanece em torno da família Bolsonaro. Dessa vez, o vídeo de Michelle criticando o enteado e dizendo que se sente desrespeitada e humilhada por ele é mais um potencial choque negativo para a campanha de Flávio, ainda que as primeiras pesquisas não captem esse movimento, diante do já elevado gap de gênero. Enquanto isso, o governo segue correndo para aprovar medidas que possam beneficiar sua avaliação.

Como de costume no período pré-eleitoral, o Congresso avança com uma ofensiva de pautas-bomba e distribuição de benefícios. Junto com elas, vêm os avisos de que o próximo presidente precisará arcar com a conta. Este parágrafo se repetirá em 2030.

Em nosso cenário, o movimento global de queda dos preços de energia, permitirá ao banco central reduzir o juro novamente nas próximas duas reuniões, levando a Selic ao patamar de 13,75%. Reforçamos que o olhar para 2027 prevê a manutenção do alto comprometimento da renda com a dívida, o que, em conjunto com a redução dos estímulos atuais, tende a provocar uma desaceleração do consumo. Uma leitura mais clara acerca da concretização deste cenário depende das prioridades do futuro presidente.

CRÉDITO

O mês de junho marcou um arrefecimento relevante do movimento de resgates que vinha pressionando a indústria de crédito privado desde março. Esse alívio no fluxo de saída trouxe consigo uma reversão parcial da abertura de spreads observada ao longo do trimestre, sinalizando uma mudança de dinâmica que acompanhamos de perto.

Para contextualizar, entre março e abril o mercado foi impactado pelas recuperações extrajudiciais de GPA e Raízen, entre outros eventos de crédito, que geraram certo pânico entre os investidores. O episódio provocou abertura relevante de spreads e resgates expressivos tanto em fundos high grade quanto incentivados, somando cerca de R$85 bilhões de saída da indústria ao longo do trimestre. Esse volume pressionou fortemente o mercado secundário e teve efeito relevante sobre o primário, que praticamente secou: empresas enfrentaram dificuldade para captar, com ofertas canceladas e postergadas.

Do que restou de ofertas no segundo trimestre, o volume somou R$55 bilhões em debêntures tradicionais, dos quais 82% precisaram ser absorvidos pelos bancos coordenadores sob garantia firme. Na parcela incentivada, o volume caiu para menos da metade do praticado anteriormente, fechando em R$14 bilhões, dos quais 89% também foi absorvido pelos bancos. Essa combinação de demanda reduzida e preços ainda não ajustados à nova realidade fez com que os participantes de mercado não aderissem às ofertas na intensidade esperada, obrigando os bancos a carregar a maior parte do risco.

Em junho, no entanto, vimos uma reversão importante: o volume de resgates recuou dos R$85 bilhões acumulados no trimestre para aproximadamente R$4 bilhões no mês – uma saída ainda relevante, mas com clara desaceleração. Esse arrefecimento já começou a se refletir em fechamento de spreads. No segmento incentivado, o fechamento foi de 10 bps no mês, levando o índice para a faixa de B + 35, com certo atraso em relação às debêntures tradicionais pós-fixadas, que já vinham fechando desde então. As tradicionais permaneceram relativamente estáveis em junho, andando de lado e encerrando o mês em CDI + 2,63% excluindo os emissores em maior estresse, que seguem apresentando volatilidade acima da média.

Acreditamos que a combinação entre o arrefecimento de resgates e a performance recente positiva dos fundos deve contribuir para que esse movimento de estabilização continue e possivelmente se intensifique nos próximos meses. Não esperamos, contudo, um fechamento de spreads na magnitude observada no ano passado. Ainda assim, no patamar atual, pós-abertura, começamos a enxergar pontos de entrada mais interessantes: o nível de prêmio, que havia se tornado pouco atrativo nos meses anteriores, volta a fazer sentido em alguns casos específicos. Isso deve se refletir, do lado do carrego, em carteiras um pouco mais alocadas nos próximos meses.

No Novus Crédito High Grade, seguimos com carrego médio de CDI + 1,23% e duration de 0,7 ano, mantendo postura defensiva e elevada liquidez diante de um cenário ainda em transição.

No Novus Renda Fixa Ativo Isento, o carrego do portfólio segue em torno de CDI + 8 bps, o equivalente a aproximadamente CDI + 2,57% com o efeito do gross-up, patamar que, dado o nível de juros atual, ainda consideramos positivo para o investidor. A duration do portfólio está em 3,70 anos: a parcela alocada em debêntures apresenta duration em torno de 5,5 anos, mas o peso da posição em caixa reduz a duration consolidada da carteira, que segue com perfil relativamente defensivo frente ao índice, mesmo com a alocação mais elevada.

Seguimos acompanhando de perto a evolução do mercado e do fluxo da indústria, avaliando com cautela as oportunidades que começam a surgir após a recente reprecificação.

BOOKS

RENDA FIXA
  • O cenário está mais desafiador para ter posição no curto prazo. Estamos diante de um cenário internacional com Fed mais hawk, que deve subir juro, e no Brasil temos um banco central mais dove querendo continuar o ciclo de queda. Estamos mais táticos aguardando uma tendência clara pra ter posição

RENDA FIXA INT
  • O acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã ajudou no fechamento da curva americana. Estamos mais táticos acreditando na alta da precificação da curva.

BOLSA
  • Mês de fluxo de rotação entre tecnologia e ações de crescimento. O cenário para o Brasil está mais difícil com a eleição mais favorável para o atual governo. Continuamos sem grandes posições.

MOEDAS
  • Estamos sem posição aguardando os efeitos positivos do término da guerra para comprar dólar.

COMMODITIES
  • Estamos sem posição com viés de voltar para a compra do ouro.

CRÉDITO
  • Seguimos com elevada liquidez e postura conservadora. Junho marcou uma reversão relevante: após saída de aproximadamente R$85 bi da indústria no trimestre, os resgates desaceleraram significativamente, o que já começou a se refletir em fechamento de spreads — as incentivadas fecharam 10 bps no mês, enquanto as tradicionais andaram de lado, excluindo os nomes sob maior estresse. O primário seguiu fraco, com elevada absorção pelos bancos via garantia firme. À frente, acreditamos que resgates menores combinados com performance positiva recente devem sustentar a estabilização, com o nível de prêmio atual voltando a fazer sentido em alguns casos. Nas tradicionais, o Novus Crédito HG encerrou com carrego de CDI+1,23% e duration de 0,7 ano. Nas incentivadas, o Novus RF Ativo Isento encerrou com carrego de CDI+2,57% (com gross-up) e duration de 3,7 anos. Seguimos atentos às oportunidades à medida que o repricing avança.

  • Os books de renda fixa (local e internacional), moedas, commodities e bolsa contemplam os fundos multimercado, respeitando as limitações das resoluções 5.202 e 4.963 para os veículos enquadrados.
  • Os books de renda fixa (local e internacional) contemplam os fundos de renda fixa ativa, respeitando as limitações das resoluções 5.202 e 4.963 para os veículos enquadrados.
  • O book de crédito contempla o fundo de crédito high grade (debêntures não incentivadas) e o fundo de renda fixa isento (debêntures incentivadas).

RENTABILIDADE DO FUNDOS

  1. A rentabilidade de 12M é calculada utilizando a cota atual contra a última cota disponível no mesmo dia, N meses atrás. 2. O patrimônio líquido utilizado corresponde ao patrimônio do Master do respectivo fundo. 3. Em 07/12/2018 os fundos Modal Tactical e Modal Institucional mudaram de nome respectivamente para Novus Macro e Novus Institucional e foram para gestão da Novus Capital; em 26/11/2018 o fundo Modal Prev mudou de nome para Novus Prev e foi para gestão da Novus Capital. 4. A rentabilidade Início Novus é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em 31/08/2018. 5. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Renda Fixa, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 30/04/2019, enquanto para o fundo Novus Renda Fixa Institucional, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 17/09/2021, e para o Novus Renda Fixa Isento, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 13/09/2024. 6. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Prev Renda Fixa, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 30/11/2020. 7. A rentabilidade Início Fundo, para  o fundo Novus Crédito, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 15/09/2022. “A Novus Capital Gestora de Recursos Ltda. (“NOVUS”) não comercializa nem distribui quotas de fundos de investimento ou qualquer outro ativo financeiro. Este documento não constitui uma oferta de serviço pela NOVUS, tem caráter meramente informativo e é para uso exclusivo de seu destinatário, não devendo ser utilizado para quaisquer outros fins. As informações contidas neste documento são confidenciais e não devem ser divulgadas a terceiros sem o prévio e expresso consentimento da NOVUS. A NOVUS utiliza informações de fontes que acredita serem confiáveis, mas não se responsabiliza pela exatidão de quaisquer das informações assim obtidas e utilizadas neste documento, as quais não foram independentemente verificadas. Estas informações podem estar desatualizadas ou sujeitas a opiniões divergentes. Para avaliação da performance de quaisquer fundos de investimentos, é recomendável uma análise de período de, no mínimo, 12 (doze) meses. Determinados fundos referidos podem utilizar estratégias com derivativos como parte integrante de sua política de investimento. Tais estratégias, da forma como são adotadas, podem resultar em significativas perdas patrimoniais para seus cotistas, podendo inclusive acarretar perdas superiores ao capital aplicado e a consequente obrigação do cotista de aportar recursos adicionais para cobrir o prejuízo do fundo. Os resultados obtidos no passado não representam garantia de resultados futuros e não contam com garantia da NOVUS, de qualquer de suas afiliadas, de qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, do Fundo Garantidor de Créditos – FGC. Este documento não constitui uma opinião ou recomendação, legal ou de qualquer outra natureza, por parte da NOVUS, e não leva em consideração a situação particular de qualquer pessoa. A utilização das informações aqui contidas se dará exclusivamente por conta e risco de seu usuário. Antes de tomar qualquer decisão acerca de seus investimentos, a NOVUS recomenda ao interessado que consulte seu próprio consultor legal. Ao investidor é recomendada a leitura cuidadosa do regulamento do fundo e do prospecto, se houver, ao aplicar seus recursos. Investimentos implicam na exposição a riscos, inclusive na possibilidade de perda total do investimento.”