REPORT MENSAL

ABRIL - 2026

No cenário internacional, o mês de abril foi marcado pela evolução do conflito entre EUA e Irã, que dominou o noticiário e condicionou as decisões de política monetária globais. No Brasil, o Copom cortou a Selic em 25 bps e sinalizou ciclo menor que o previsto. No cenário eleitoral, o governo sofreu mais uma derrota ao não conseguir a aprovação do Messias para o STF.

Seguimos com o risco baixo aguardando um desfecho do conflito entre EUA e Irã.”

INTERNACIONAL

O mês de abril foi marcado por uma intensa volatilidade nos preços do petróleo, ditada pelo fluxo de notícias sobre o conflito no Oriente Médio. Ao longo do período, a percepção de que um acordo para o fim das hostilidades estaria próximo chegou a trazer alívio momentâneo, mas essa expectativa se esvaiu conforme as negociações travaram. O resultado foi um encerramento de mês com as commodities energéticas em patamares mais elevados.

Diante desse choque de oferta, os principais bancos centrais globais adotaram uma postura significativamente mais vigilante. Na Zona Euro, o Banco Central Europeu (ECB) conseguiu postergar o início do ciclo de alta para o final do segundo trimestre, mas a surpresa inflacionária recente torna improvável que a autoridade monetária escape de uma elevação de, ao menos, 50 bps na taxa de juros até o final do ano. O movimento não é isolado: no Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE) abandonou a perspectiva de recuo dos juros e migrou para um discurso mais rígido, com chances reais de elevações ainda em 2026. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, mesmo sob forte pressão política, deve alterar seu viés de queda para alta, reagindo diretamente aos impactos do petróleo sobre o CPI.

Somado à pressão das commodities, os dados mais recentes do mercado de trabalho americano indicam que o período de maior arrefecimento ficou para trás. A economia dos EUA voltou a apresentar contratações em patamares elevados, afastando o cenário de um enfraquecimento mais duradouro da atividade. Esse vigor do mercado de trabalho, em um ambiente de inflação pressionada por custos energéticos, exige que o Fed mantenha uma postura restritiva. O subproduto desse cenário é uma economia global que conviverá com juros em patamares mais altos do que o antecipado, dado que o binômio “PIB forte e inflação de custos” retira o espaço para qualquer flexibilização monetária no curto prazo.

BRASIL

No cenário doméstico, observamos uma forte reavaliação da trajetória da política monetária. O tamanho do choque nos preços do petróleo forçou revisões expressivas nas projeções de inflação para 2026 e 2027, movimentos que já eram esperados pelo mercado. Entretanto, o ponto de maior preocupação para o Copom foi a elevação das expectativas para 2028. Esse deslocamento das projeções de longo prazo foi mal recebido pela autoridade monetária, pois sinaliza uma erosão na confiança dos agentes de que o Banco Central conseguirá reconduzir a inflação à meta. Essa perda adicional de credibilidade impõe a necessidade de manter a política monetária em terreno restritivo por um período ainda mais prolongado.

Este ambiente torna cada vez mais improvável o cenário de aceleração do ritmo de cortes para 50 bps, uma estratégia que parece ter sido descartada diante dos novos riscos. Além das revisões inflacionárias, os dados de atividade econômica no Brasil seguem surpreendendo positivamente, com destaque para o mercado de trabalho, que permanece firme. Esse dinamismo exigirá uma nova rodada de revisão altista do hiato do produto, o que deve elevar as projeções de inflação do próprio Banco Central em seus modelos. Com base nesse quadro de pressões tanto por oferta quanto por demanda, nosso cenário-base atual contempla uma taxa Selic final de 13,50%, mesmo considerando um cenário de câmbio mais apreciado.

No campo político, o cenário eleitoral permanece extremamente travado. As simulações de segundo turno mostram uma disputa acirrada, sem que o presidente Lula consiga traduzir os dados de atividade econômica em ganho de popularidade. Para tentar reverter essa trajetória de enfraquecimento e atacar o problema do alto endividamento das famílias, o governo aposta em novos trunfos, como o “Desenrola 2.0” e a defesa do fim da escala de trabalho 6×1 — uma pauta que encontra ampla aceitação social. Resta saber se essas medidas de apelo popular serão suficientes para alterar as intenções de voto ou se o peso do custo de vida e dos juros altos continuará sendo o fator determinante para a percepção da população.

CRÉDITO

O segmento incentivado foi o epicentro de abril. Observamos nova abertura de spreads superior a 30 bps no secundário ao longo do mês, com retornos fracos ou negativos nos fundos hedgeados. O volume negociado ficou em torno de R$40 bilhões, em linha com os meses anteriores. A combinação de abertura de spreads com volume estável indica que o ajuste até aqui não veio da entrada de novos compradores, mas da retirada da demanda que sustentava os preços.

O mecanismo subjacente é importante. Ao longo de 2025 e início de 2026, a demanda por enquadramento de fundos de infraestrutura funcionou como um suporte relevante de preços, antecipando o consumo de ativos que, em condições normais, seriam absorvidos ao longo do tempo. Com a reversão do fluxo de resgates, esse suporte desaparece. O mercado passa a depender de novos compradores, que tipicamente exigem níveis de spread mais elevados para entrar com volume relevante. Ainda não estamos nesse ponto.

Os fundos de debêntures incentivadas receberam volume relevante de resgate ao longo do mês de abril. Como esses veículos são obrigados a manter cerca de 85% da alocação em debêntures incentivadas, a aceleração dos resgates reduz a demanda estrutural no primário e pode pressionar o secundário de forma adicional nos próximos meses.

No crédito não incentivado, o movimento foi mais moderado. A abertura de spreads concentrou-se na primeira quinzena, com relativa estabilidade na segunda metade do mês. O volume negociado ficou em torno de R$50 bilhões, sem mudanças relevantes de padrão.

O índice atingiu CDI + 1,70% em meados de abril, recuando levemente para CDI + 1,64% no fechamento do mês. No acumulado do ciclo desde agosto de 2025, o índice acumula abertura próxima de 50 bps. Um dado que ajuda a contextualizar a natureza do movimento: 70% dessa abertura está concentrada em poucos emissores.

Eventos pontuais envolvendo emissores específicos elevaram a sensibilidade do investidor no curto prazo. Os fundos indexados ao CDI seguem com níveis elevados de caixa e, até o momento, sem necessidade de venda forçada de ativos.

O primário de abril foi o dado mais expressivo do mês em termos de atividade. Das 19 ofertas previstas, 8 foram postergadas e 3 canceladas. Das restantes, 4 foram encarteiradas integralmente pelos coordenadores e 4 tiveram distribuição parcial, somando cerca de R$1 bilhão no total. Nenhuma oferta foi integralmente distribuída a investidores.

O que se observa não é falta de emissores querendo captar, mas um desalinhamento entre os níveis de spread do primário e do secundário. Em períodos de maior volatilidade, as ofertas chegam ao mercado com referências de preço defasadas, e tendem a perder tração até que um novo equilíbrio se consolide no secundário. Para dar dimensão: em março, o volume analisado havia sido de R$28 bilhões em 28 ofertas. Em abril, foram R$8 bilhões em apenas 8 ofertas , a menor atividade dos últimos 13 meses.

O Novus Crédito High Grade encerrou abril com rentabilidade de 0,89% no mês. A alocação atual está distribuída em aproximadamente 34,2% em debêntures, 16,8% em FIDCs e 48% em caixa. O carrego do portfólio encerrou o mês em CDI + 1,46%, com duration média de 0,7 ano. A carteira mantém concentração estrita em emissores AAA e AA, sem exposição relevante aos nomes que protagonizaram os eventos de estresse do mês. A duration reduzida, que mantemos como escolha deliberada desde meados de 2025, funcionou como amortecedor durante a abertura de spreads observada em abril. O caixa de 48% preserva a flexibilidade necessária para rotacionar gradualmente para papéis que passaram a oferecer relação risco-retorno mais atrativa após o repricing, sem comprometer a postura defensiva da carteira.

O Novus Renda Fixa Ativo Isento encerrou abril com resultado de -0,38% no mês, reflexo direto da abertura de spreads no universo de debêntures incentivadas. A alocação atual está distribuída em aproximadamente 58% em títulos privados e 42% em caixa. O carrego nominal encerrou o mês em CDI + 0,14%, equivalente a aproximadamente CDI + 2,68% após o efeito de gross-up da tributação. A duration da carteira situa-se próxima de 2,9 anos. Em janeiro, aumentamos a exposição para capturar o movimento de compressão de spreads nas incentivadas. Desde fevereiro, revertemos para uma postura mais conservadora, que se mostrou acertada diante da abertura acumulada superior a 77 bps desde então. A carteira segue concentrada em emissores AAA e AA, com exposição setorial majoritária em energia, infraestrutura e logística.

BOOKS

RENDA FIXA
  • Mantivemos risco baixo nos fundos macro em juros, mantendo a posição aplicada em juro real. Nos fundos de renda fixa, quando as conversas entre os EUA e Irã se intensificaram na direção de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, voltamos para posição direcional aplicada.

    A negociação não evoluiu e optamos por trocar o aplicado direcional por aplicado em inclinação.
    Aguardaremos o desenrolar da guerra para voltar para posições maiores aplicadas.

RENDA FIXA INT
  • Com o avanço da negociações entre EUA e Irã, iniciamos uma pequena posição aplicada em juros na Europa e Inglaterra, que foi encerrada no final do mês.

BOLSA
  • No fim do mês de abril o fluxo se reverteu dos emergentes de volta para ações de tecnologia. Zeramos nossa posição comprada em EWZ contra bolsa americana e estamos acompanhando a evolução do conflito entre EUA e Irã. Mantemos o viés positivo para os países emergentes, em especial o Brasil, para o momento em que o conflito for encerrado.

MOEDAS
  • Seguimos sem posições em moedas, apenas com exposição ao BRL via EWZ.

COMMODITIES
  • Voltamos para a compra do ouro ao longo do mês mas, com a piora da relação entre EUA e Irã, essa posição foi encerrada.

CRÉDITO
  • Seguimos com elevada liquidez e postura conservadora, operando com carrego e duration em patamares defensivos, o que contribuiu para mitigar o impacto da abertura de spreads observada em abril. Nas tradicionais, o Novus Crédito HG encerrou o mês com 48% em caixa, duration de 0,7 ano e carrego de CDI + 1,46%, com carteira concentrada em emissores AAA e AA. Nas incentivadas, o Novus RF Ativo Isento encerrou com 42% em caixa, duration de 2,9 anos e carrego de CDI + 2,68% (com gross-up), igualmente concentrado em alta qualidade. Em ambos os fundos, não tivemos exposição relevante aos emissores que protagonizaram os eventos de estresse do mês. Seguimos atentos às oportunidades que possam surgir à medida que o repricing avança.

  • Os books de renda fixa (local e internacional), moedas, commodities e bolsa contemplam os fundos multimercado, respeitando as limitações das resoluções 5.202 e 4.963 para os veículos enquadrados.
  • Os books de renda fixa (local e internacional) contemplam os fundos de renda fixa ativa, respeitando as limitações das resoluções 5.202 e 4.963 para os veículos enquadrados.
  • O book de crédito contempla o fundo de crédito high grade (debêntures não incentivadas) e o fundo de renda fixa isento (debêntures incentivadas).

RENTABILIDADE DO FUNDOS

  1. A rentabilidade de 12M é calculada utilizando a cota atual contra a última cota disponível no mesmo dia, N meses atrás. 2. O patrimônio líquido utilizado corresponde ao patrimônio do Master do respectivo fundo. 3. Em 07/12/2018 os fundos Modal Tactical e Modal Institucional mudaram de nome respectivamente para Novus Macro e Novus Institucional e foram para gestão da Novus Capital; em 26/11/2018 o fundo Modal Prev mudou de nome para Novus Prev e foi para gestão da Novus Capital. 4. A rentabilidade Início Novus é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em 31/08/2018. 5. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Renda Fixa, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 30/04/2019, enquanto para o fundo Novus Renda Fixa Institucional, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 17/09/2021, e para o Novus Renda Fixa Isento, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 13/09/2024. 6. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Prev Renda Fixa, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 30/11/2020. 7. A rentabilidade Início Fundo, para  o fundo Novus Crédito, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 15/09/2022. “A Novus Capital Gestora de Recursos Ltda. (“NOVUS”) não comercializa nem distribui quotas de fundos de investimento ou qualquer outro ativo financeiro. Este documento não constitui uma oferta de serviço pela NOVUS, tem caráter meramente informativo e é para uso exclusivo de seu destinatário, não devendo ser utilizado para quaisquer outros fins. As informações contidas neste documento são confidenciais e não devem ser divulgadas a terceiros sem o prévio e expresso consentimento da NOVUS. A NOVUS utiliza informações de fontes que acredita serem confiáveis, mas não se responsabiliza pela exatidão de quaisquer das informações assim obtidas e utilizadas neste documento, as quais não foram independentemente verificadas. Estas informações podem estar desatualizadas ou sujeitas a opiniões divergentes. Para avaliação da performance de quaisquer fundos de investimentos, é recomendável uma análise de período de, no mínimo, 12 (doze) meses. Determinados fundos referidos podem utilizar estratégias com derivativos como parte integrante de sua política de investimento. Tais estratégias, da forma como são adotadas, podem resultar em significativas perdas patrimoniais para seus cotistas, podendo inclusive acarretar perdas superiores ao capital aplicado e a consequente obrigação do cotista de aportar recursos adicionais para cobrir o prejuízo do fundo. Os resultados obtidos no passado não representam garantia de resultados futuros e não contam com garantia da NOVUS, de qualquer de suas afiliadas, de qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, do Fundo Garantidor de Créditos – FGC. Este documento não constitui uma opinião ou recomendação, legal ou de qualquer outra natureza, por parte da NOVUS, e não leva em consideração a situação particular de qualquer pessoa. A utilização das informações aqui contidas se dará exclusivamente por conta e risco de seu usuário. Antes de tomar qualquer decisão acerca de seus investimentos, a NOVUS recomenda ao interessado que consulte seu próprio consultor legal. Ao investidor é recomendada a leitura cuidadosa do regulamento do fundo e do prospecto, se houver, ao aplicar seus recursos. Investimentos implicam na exposição a riscos, inclusive na possibilidade de perda total do investimento.”