REPORT MENSAL

ABRIL - 2025

“No cenário internacional, as tarifas anunciadas no “Liberation Day” trouxeram muita volatilidade para os mercados. A bolsa americana chegou a cair 15%, tendo recuperado a queda antes mesmo do fim do mês, após a postergação da implementação das tarifas por 90 dias. No Brasil, a perspectiva de desaceleração global com o dólar fraco abriu uma janela de oportunidade para o Banco Central anunciar que está próximo do fim do ciclo de alta de juros.

Os indicadores de atividade de maio e junho serão chaves para avaliar o impacto na economia global do anúncio das tarifas. Estamos mais táticos nas posições, buscando fechamento de juros e alta da bolsa.”

MACROECONOMIA

Abril trouxe consigo um novo elemento de incerteza para a economia global: o “Liberation Day”, ocorrido no início do mês, ampliou o já elevado grau de instabilidade na política econômica americana e resultou, inclusive, em saídas líquidas de capitais dos EUA. Desde então, houve indicações de que acordos unilaterais entre os Estados Unidos e diversas nações estão sendo costurados. No caso específico da China, as tarifas atualmente aplicadas permanecem em patamar tão elevado que inviabilizam o fluxo comercial entre as duas maiores economias do mundo. A expectativa, no entanto, é de que, em algum momento, um acordo entre os dois países seja alcançado, o que poderá representar um alívio para o comércio global.

No campo da política monetária, o Federal Reserve tem optado por aguardar maiores evidências antes de tomar novas decisões. A instituição busca entender melhor o ritmo de desaceleração da atividade econômica, bem como os impactos inflacionários das tarifas recentemente anunciadas e suas repercussões sobre as expectativas dos agentes econômicos. A esse cenário, soma-se o forte recuo recente nos preços internacionais do petróleo, motivado por dois fatores principais: a desaceleração do crescimento global e o aumento da produção da OPEP, liderado pela Arábia Saudita. Esse movimento tem contribuído para um viés baixista na inflação, ainda que haja um descompasso entre os núcleos — enquanto os bens comercializáveis sofrem pressão altista, o setor de serviços tende a acomodar os preços em meio à atividade mais fraca. Nossa avaliação é de que tanto a inflação quanto a atividade seguirão em moderação, o que deverá abrir espaço para cortes na taxa básica de juros assim que o Fed tiver maior clareza sobre o quadro prospectivo.

Na Europa, o ambiente inflacionário também aponta para alívio. Um duplo choque desinflacionário, composto pela queda nos preços do petróleo e pela valorização do euro, deverá pressionar o Banco Central Europeu a reduzir os juros abaixo do nível neutro. A esse quadro soma-se a retração do comércio internacional, que afeta diretamente a região, fortemente integrada às cadeias globais. A combinação desses elementos tende a gerar um impulso adicional à flexibilização monetária nos próximos trimestres.

Na China, permanece a incerteza sobre o desfecho das negociações tarifárias com os EUA. Além disso, os legisladores locais precisarão definir uma resposta coordenada para reativar a demanda doméstica, que segue fraca diante dos persistentes efeitos da crise imobiliária e da menor confiança do consumidor. A política fiscal aparece como principal ferramenta a ser mobilizada, mas ainda se aguarda clareza quanto à intensidade e à direção dessas medidas.

No Brasil, o recente recuo dos preços do petróleo combinado com a valorização do real trouxe algum alívio ao Banco Central no processo de controle inflacionário e definição de política monetária. Como resultado, revisamos nossa projeção de inflação para 2025 de 6,15% para 5,50%. No entanto, o cenário doméstico segue repleto de incertezas. Por um lado, o arrefecimento do comércio global tende a penalizar a economia brasileira, especialmente por conta da alta exposição a commodities. Por outro lado, há estímulos fiscais relevantes em curso, implementados pelo governo Lula já com vistas ao ciclo eleitoral de 2026. Entre os destaques, estão a introdução de um novo modelo de crédito consignado e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$5.000,00, o que deve impulsionar o consumo em 2026.

Diante desse quadro, nossa expectativa é que o Copom eleve a taxa Selic para 14,75% e a mantenha nesse patamar até o final de 2026. A autoridade monetária só deverá iniciar um processo de flexibilização quando observar uma redução mais clara nas expectativas de inflação dos agentes econômicos. Nesse sentido, destacamos o recente recuo das taxas implícitas nos títulos públicos, movimento que ainda não se refletiu no Focus — variável-chave para a credibilidade da política monetária. No campo político, a popularidade do presidente da República segue em patamar historicamente baixo, o que aumenta a incerteza em torno do resultado eleitoral de 2026 e deve, progressivamente, ser incorporado aos preços dos ativos domésticos.

CRÉDITO

O mês de abril manteve a trajetória observada em março no mercado de crédito, sem mudança de direção relevante. Houve continuidade na reversão dos resgates líquidos que marcaram os meses anteriores. Em março, a captação líquida já havia ficado próxima de zero, com leve viés positivo. Esse movimento ganhou força em abril, com captação líquida positiva concentrada nos fundos high grade, enquanto os fundos de infraestrutura ainda apresentaram leve captação negativa.

Esse cenário de captação positiva gerou mais demanda no mercado secundário. Fundos e alocadores, que vinham operando com níveis elevados de caixa, voltaram a alocar. Ao mesmo tempo, houve uma redução da oferta no mercado primário. O resultado foi um movimento de fechamento de spreadsem média 6 bps nas debêntures tradicionais, enquanto as debêntures incentivadas de infraestrutura tiveram uma leve abertura de spreads.

A perspectiva para o mercado de crédito segue positiva. Ainda há cautela com ativos de risco, mas o crédito continua atraente, sustentando os níveis atuais de spread. Observamos, no entanto, uma dispersão maior dentro do mercado: enquanto alguns papéis de alta qualidade tiveram compressão acentuada dos spreads desde o fim de 2023 e hoje oferecem pouco prêmio, outros ativos – principalmente de empresas menos high grade que sofreram mais recentemente – apresentam prêmios atrativos. A análise criteriosa de crédito segue essencial na busca ativa por essas oportunidades.

Apesar disso, mantivemos uma postura mais defensiva no portfólio, com maior nível de caixa. Após um primeiro trimestre mais comprador, recalibramos a alocação em abril e seguimos em maio com uma posição mais leve, evitando papéis que tiveram compressão excessiva de prêmio.

BOOKS

RENDA FIXA
  • Iniciamos o mês tomados em juros com a perspectiva de atividade mais forte por conta dos estímulos de crédito e parafiscal. O Banco Central mudou o tom e tinha sinalizado uma taxa Selic acima de 15% na última reunião. Após a mudança de cenário com o anúncio das tarifas no início de abril, que reduziu a expectativa de crescimento global e derrubou o preço do petróleo, alteramos a posição para aplicada na parte intermediária da curva.

MOEDAS
  • Seguimos mais táticos no dólar, sem posição estrutural.
RENDA FIXA INT
  • Após o anúncio das tarifas, iniciamos uma venda de taxa na parte intermediária da curva americana para capturar uma desaceleração da atividade global. A forte abertura do juro de 30 anos prejudicou a posição aplicada, que contribuiu negativamente para o fundo. Entramos no mês de maio com uma pequena posição aplicada nos EUA.

COMMODITIES
  • Capturamos a venda de petróleo via bolsa.
BOLSA
  • Em abril presenciamos uma forte volatilidade na bolsa americana, que ao longo do mês caiu 15% e, com a postergação da implementação das tarifas por 90 dias, recuperou o mês fechando com leve queda. Conseguimos capturar parte dessa queda e a recuperação no fim do mês. O destaque de abril foi a posição em carteira vendida no setor de petróleo e comprada em Small Caps. Entramos em maio comprados em EWZ e uma pequena posição comprada na bolsa americana.

CRÉDITO
  • Em abril, seguimos observando melhora na dinâmica do mercado de crédito, com captação líquida positiva impulsionando o fechamento de spreads em alguns segmentos. Permanecemos com uma postura mais defensiva, com maior nível de caixa. Em maio, estamos mantendo essa posição mais leve, evitando alocações em papéis que tiveram compressão excessiva de prêmio.

  • Os books de renda• fixa (local e internacional), moedas, commodities e bolsa contemplam os fundos multimercado, respeitando as limitações das resoluções 5.202 e 4.963 para os veículos enquadrados.
  • Os books de renda fixa (local e internacional) contemplam os fundos de renda fixa ativa, respeitando as limitações das resoluções 5.202 e 4.963 para os veículos enquadrados.
  • O book de crédito contempla o fundo de crédito high grade (debêntures não incentivadas) e o fundo de renda fixa isento (debêntures incentivadas).

RENTABILIDADE DO FUNDOS

  1. A rentabilidade de 12M é calculada utilizando a cota atual contra a última cota disponível no mesmo dia, N meses atrás. 2. O patrimônio líquido utilizado corresponde ao patrimônio do Master do respectivo fundo. 3. Em 07/12/2018 os fundos Modal Tactical e Modal Institucional mudaram de nome respectivamente para Novus Macro e Novus Institucional e foram para gestão da Novus Capital; em 26/11/2018 o fundo Modal Prev mudou de nome para Novus Prev e foi para gestão da Novus Capital. 4. A rentabilidade Início Novus é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em 31/08/2018. 5. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Renda Fixa, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 30/04/2019, enquanto para o fundo Novus Renda Fixa Institucional, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 17/09/2021, e para o Novus Renda Fixa Isento, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 13/09/2024. 6. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Prev Renda Fixa, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 30/11/2020. 7. A rentabilidade Início Fundo, para  o fundo Novus Crédito, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 15/09/2022. “A Novus Capital Gestora de Recursos Ltda. (“NOVUS”) não comercializa nem distribui quotas de fundos de investimento ou qualquer outro ativo financeiro. Este documento não constitui uma oferta de serviço pela NOVUS, tem caráter meramente informativo e é para uso exclusivo de seu destinatário, não devendo ser utilizado para quaisquer outros fins. As informações contidas neste documento são confidenciais e não devem ser divulgadas a terceiros sem o prévio e expresso consentimento da NOVUS. A NOVUS utiliza informações de fontes que acredita serem confiáveis, mas não se responsabiliza pela exatidão de quaisquer das informações assim obtidas e utilizadas neste documento, as quais não foram independentemente verificadas. Estas informações podem estar desatualizadas ou sujeitas a opiniões divergentes. Para avaliação da performance de quaisquer fundos de investimentos, é recomendável uma análise de período de, no mínimo, 12 (doze) meses. Determinados fundos referidos podem utilizar estratégias com derivativos como parte integrante de sua política de investimento. Tais estratégias, da forma como são adotadas, podem resultar em significativas perdas patrimoniais para seus cotistas, podendo inclusive acarretar perdas superiores ao capital aplicado e a consequente obrigação do cotista de aportar recursos adicionais para cobrir o prejuízo do fundo. Os resultados obtidos no passado não representam garantia de resultados futuros e não contam com garantia da NOVUS, de qualquer de suas afiliadas, de qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, do Fundo Garantidor de Créditos – FGC. Este documento não constitui uma opinião ou recomendação, legal ou de qualquer outra natureza, por parte da NOVUS, e não leva em consideração a situação particular de qualquer pessoa. A utilização das informações aqui contidas se dará exclusivamente por conta e risco de seu usuário. Antes de tomar qualquer decisão acerca de seus investimentos, a NOVUS recomenda ao interessado que consulte seu próprio consultor legal. Ao investidor é recomendada a leitura cuidadosa do regulamento do fundo e do prospecto, se houver, ao aplicar seus recursos. Investimentos implicam na exposição a riscos, inclusive na possibilidade de perda total do investimento.”