REPORT MENSAL
MAIO - 2025
“A postergação da implementação das tarifas sobre a China contribuiu para impulsionar o ambiente global de ‘risk on‘, com destaque positivo para o desempenho da bolsa americana no mês. No Brasil, o aumento do IOF como medida compensatória à meta fiscal teve efeito negativo sobre os ativos locais, reacendendo preocupações quanto à sustentabilidade de longo prazo da dívida pública.
O ambiente global segue positivo com o recuo da implementação das tarifas no curto prazo por parte do governo americano. O cenário de dólar fraco vai continuar beneficiando os países emergentes. No Brasil, será fundamental uma sinalização positiva do lado fiscal para acompanharmos a boa performance global.”
MACROECONOMIA
Maio foi marcado por três eixos centrais no cenário global: o agravamento das dúvidas fiscais nos Estados Unidos, a reprecificação dos juros longos em outras economias e os desdobramentos da guerra tarifária entre EUA e o resto do mundo, mais especificamente a China.
Nos Estados Unidos, o governo manteve a aposta de que as receitas geradas pelas tarifas comerciais seriam suficientes para equilibrar os cortes de impostos e evitar medidas mais duras de contenção de gastos. No entanto, a trajetória fiscal esperada continua apontando déficits primários elevados e uma dívida pública claramente insustentável. A resposta dos mercados veio em forma de abertura relevante das taxas longas, refletindo a exigência de prêmios maiores por parte dos investidores para financiar o Tesouro. O movimento teve impacto direto sobre o dólar, que perdeu força diante da crescente aversão fiscal.
A reprecificação de juros não se limitou aos EUA. No Japão, leilões de títulos longos malsucedidos e a discussão sobre o recuo do Banco Central em suas intervenções — com aumento de juros e redução de compras de ativos — provocaram uma abertura significativa das taxas, contribuindo para a pressão global nas curvas de juros.
Na Europa, a atividade econômica segue fraca, especialmente o segmento manufatureiro, impactado pela incerteza decorrente das tarifas americanas. O Banco Central Europeu reagiu à combinação de valorização cambial e queda dos preços de petróleo seguindo no ciclo de afrouxamento monetário. A taxa de juros básica será levada abaixo do patamar neutro, por conta de um cenário de inflação mais benigno.
Na China, o foco está na definição das tarifas efetivas nas relações com os EUA e na dificuldade de substituir a demanda externa pelo consumo doméstico. Desde o estouro da bolha imobiliária, a atividade interna permanece fraca, e os estímulos fiscais são limitados pelo receio de alavancagem excessiva. O debate se concentrará em como o governo chinês conduzirá essa transição sem comprometer a estabilidade financeira.
Os dados de inflação nos EUA mostraram sinais mistos. Em maio, os preços dos serviços desaceleraram, aproximando o núcleo do PCE da meta de 2%. Por outro lado, o repasse de preços importados gera dúvidas sobre a trajetória à frente, mantendo a incerteza quanto aos impactos inflacionários das tarifas ao longo do terceiro trimestre. Caso a pressão sobre bens não se materialize, haverá espaço para cortes de juros — mas esse ainda não é o nosso cenário base.
No campo da atividade econômica, a demanda doméstica manteve-se forte mesmo com o impacto negativo das exportações líquidas no primeiro trimestre. Mais recentemente, os dados voltaram a surpreender positivamente, indicando recuperação após um início de ano fraco. O consumo seguiu firme, sustentado por um mercado de trabalho resiliente e ganhos salariais em linha com a produtividade. A incerteza política não afetou os investimentos, impulsionados pelo ciclo de inovação associado à inteligência artificial.
Diante desse quadro, o balanço da política monetária americana ao final de maio seguiu compatível com manutenção das taxas no atual patamar, com viés de baixa condicionado à convergência sustentada da inflação e sinais mais claros de arrefecimento da atividade.
O Brasil vem se beneficiando da fraqueza do dólar e do recuo das commodities, o que ajuda a reduzir as pressões inflacionárias. A nossa projeção de IPCA para o ano caiu para 5,5%, refletindo tanto a apreciação do real, quanto a deflação de preços internacionais. No entanto, a atividade econômica surpreendeu novamente para cima: o mercado de trabalho continuou se fortalecendo, com o desemprego voltando às mínimas históricas. A resiliência do consumo e dos investimentos manteve dúvidas sobre a efetividade da política monetária contracionista, especialmente diante da presença de políticas fiscais expansionistas em escala global. Com base nesse desempenho, nossa projeção de crescimento do PIB para 2025 foi mantida em 2,2%, com viés de alta.
No front fiscal, o Brasil repetiu a dinâmica observada em economias centrais: crescimento das despesas públicas e ausência de medidas de consolidação efetivas. A tentativa do governo de aumentar a arrecadação via IOF, sem necessidade de aval do Congresso, foi rechaçada politicamente. Como resposta, o Ministério da Fazenda começou a articular um novo conjunto de medidas de consolidação, envolvendo contenção de despesas e revisão de benefícios tributários. A viabilidade dessas medidas, no entanto, ainda é incerta, mas seriam muito bem-vindas caso concretizadas.
Diante da combinação entre incerteza fiscal, resiliência da atividade e expectativas de inflação persistentemente desancoradas, o Banco Central do Brasil seguiu firme em sua comunicação. A expectativa é de que o Copom realize uma última alta de 25 bps na reunião de junho, levando a Selic a 15,00%. Um eventual ciclo de cortes dependerá da materialização de dois fatores: desaceleração clara da atividade e melhora das expectativas inflacionárias.
CRÉDITO
Devido às incertezas persistentes no ambiente macroeconômico, a aversão ao risco por parte do investidor local continuou elevada, o que manteve forte o apetite por fundos de crédito. Esse movimento se refletiu nas captações líquidas positivas de diversos segmentos da indústria.
Os fundos com liquidez imediata (D0/D1) e os fundos high grade (D30–D45) registraram captações líquidas positivas de R$3,1 bilhões e R$1,0 bilhão, respectivamente. Os fundos incentivados de infraestrutura tiveram a quinta saída líquida consecutiva, porém em magnitude mais tímida, com resgate líquido de R$400 milhões.
Esse fluxo para a indústria impulsionou a demanda por ativos no mercado primário, mantendo-o aquecido com emissões de R$19,6 bilhões em debêntures tradicionais e R$9,6 bilhões em debêntures incentivadas – que foram bem absorvidas pelo mercado. Apesar da maior oferta, vimos também uma forte demanda no mercado secundário, que pressionou o nível dos spreads. O índice amplo de debêntures atreladas ao CDI encerrou maio em CDI + 1,81% (-14 bps no mês); o índice de debêntures low rated em CDI + 3,19% (-14 bps); e o índice de debêntures de infraestrutura (incentivados) em NTN-B + 30 bps (-7 bps).
No mercado internacional, observamos compressão de aproximadamente 30 bps nos bonds de empresas brasileiras, mas ainda assim podemos ver prêmios em relação a debêntures locais em alguns nomes específicos.
Seguimos executando a rotação de portfólio iniciada no mês de abril, com redução de exposição a nomes consensuais ultra high grade que passaram por compressão excessiva de spreads, tornando-se menos atrativos sob a ótica de risco-retorno. Direcionamos parte do portfólio para papéis de rating A e AA, que apresentam prêmios mais elevados e melhor assimetria. Porém, a saída ou redução de posições maiores e rotação para posições menores (dado o perfil do risco de crédito) resultou em aumento da posição de caixa para cerca de 30%.
Apesar do ambiente de juros elevados e das incertezas fiscais, o mercado de crédito segue com técnico resiliente, porém a seleção criteriosa de ativos e a gestão ativa serão fundamentais para capturar oportunidades com risco-retorno equilibrado no atual contexto.
BOOKS
Nossa posição aplicada em juros contribuiu negativamente no mês. A redução da incerteza sobre a guerra comercial entre os EUA e a China, o Caged mais forte que o esperado e a volatilidade criada com o anúncio do IOF trouxeram pressão para a curva de juros. Seguimos aplicados e com opções de juros para uma alta de 25 bps na Selic.
Iniciamos uma posição comprada em euro. A tendência de dólar fraco deve seguir com a diversificação crescente do dólar nos portfólios globais.
Encerramos a posição aplicada em juros americanos após a postergação das tarifas na China, e estamos observando o desenrolar do orçamento do governo americano para voltar com a posição aplicada nos vértices intermediários da curva.
- Estamos sem posição em commodities.
- A bolsa não conseguiu capturar o rally liderado pela bolsa americana durante o mês de maio. O Ibovespa terminou com leve alta, enquanto o S&P500 fechou com 6% positivo. Estamos mantendo uma posição comprada via estrutura de opções em EWZ e uma carteira de ações contra o índice. Zeramos a posição comprada em bolsa americana e estamos mais táticos com viés de venda para proteger a compra em Brasil. A perspectiva de fim do ciclo de alta de juros no Brasil tende a ajudar na continuidade da valorização da bolsa.
Seguimos vendo em maio um mercado com bom técnico e comprador. O fluxo para fundos de crédito sustentou os spreads, mesmo com forte atividade no mercado primário. Seguimos com a captura de prêmio, reduzindo nomes ultra high grade comprimidos e alocando em papéis mid grade com melhor relação risco-retorno. A compressão dos spreads contribuiu positivamente para o resultado do mês.
- Os books de renda• fixa (local e internacional), moedas, commodities e bolsa contemplam os fundos multimercado, respeitando as limitações das resoluções 5.202 e 4.963 para os veículos enquadrados.
- Os books de renda fixa (local e internacional) contemplam os fundos de renda fixa ativa, respeitando as limitações das resoluções 5.202 e 4.963 para os veículos enquadrados.
- O book de crédito contempla o fundo de crédito high grade (debêntures não incentivadas) e o fundo de renda fixa isento (debêntures incentivadas).
RENTABILIDADE DO FUNDOS
- A rentabilidade de 12M é calculada utilizando a cota atual contra a última cota disponível no mesmo dia, N meses atrás. 2. O patrimônio líquido utilizado corresponde ao patrimônio do Master do respectivo fundo. 3. Em 07/12/2018 os fundos Modal Tactical e Modal Institucional mudaram de nome respectivamente para Novus Macro e Novus Institucional e foram para gestão da Novus Capital; em 26/11/2018 o fundo Modal Prev mudou de nome para Novus Prev e foi para gestão da Novus Capital. 4. A rentabilidade Início Novus é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em 31/08/2018. 5. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Renda Fixa, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 30/04/2019, enquanto para o fundo Novus Renda Fixa Institucional, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 17/09/2021, e para o Novus Renda Fixa Isento, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 13/09/2024. 6. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Prev Renda Fixa, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 30/11/2020. 7. A rentabilidade Início Fundo, para o fundo Novus Crédito, é calculada utilizando a cota atual contra a cota disponível em sua data de início – 15/09/2022. “A Novus Capital Gestora de Recursos Ltda. (“NOVUS”) não comercializa nem distribui quotas de fundos de investimento ou qualquer outro ativo financeiro. Este documento não constitui uma oferta de serviço pela NOVUS, tem caráter meramente informativo e é para uso exclusivo de seu destinatário, não devendo ser utilizado para quaisquer outros fins. As informações contidas neste documento são confidenciais e não devem ser divulgadas a terceiros sem o prévio e expresso consentimento da NOVUS. A NOVUS utiliza informações de fontes que acredita serem confiáveis, mas não se responsabiliza pela exatidão de quaisquer das informações assim obtidas e utilizadas neste documento, as quais não foram independentemente verificadas. Estas informações podem estar desatualizadas ou sujeitas a opiniões divergentes. Para avaliação da performance de quaisquer fundos de investimentos, é recomendável uma análise de período de, no mínimo, 12 (doze) meses. Determinados fundos referidos podem utilizar estratégias com derivativos como parte integrante de sua política de investimento. Tais estratégias, da forma como são adotadas, podem resultar em significativas perdas patrimoniais para seus cotistas, podendo inclusive acarretar perdas superiores ao capital aplicado e a consequente obrigação do cotista de aportar recursos adicionais para cobrir o prejuízo do fundo. Os resultados obtidos no passado não representam garantia de resultados futuros e não contam com garantia da NOVUS, de qualquer de suas afiliadas, de qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, do Fundo Garantidor de Créditos – FGC. Este documento não constitui uma opinião ou recomendação, legal ou de qualquer outra natureza, por parte da NOVUS, e não leva em consideração a situação particular de qualquer pessoa. A utilização das informações aqui contidas se dará exclusivamente por conta e risco de seu usuário. Antes de tomar qualquer decisão acerca de seus investimentos, a NOVUS recomenda ao interessado que consulte seu próprio consultor legal. Ao investidor é recomendada a leitura cuidadosa do regulamento do fundo e do prospecto, se houver, ao aplicar seus recursos. Investimentos implicam na exposição a riscos, inclusive na possibilidade de perda total do investimento.”


